Uso de PPP divide candidatos

Modelo usado na construção de Umeis é elogiado por uns e rejeitado por outros

PUBLICADO EM 27/09/16 – 03h00
DA REDAÇÃO – O Tempo

Não há consenso entre os candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte com relação ao modelo de Parceria Público-Privada (PPP) na construção de Umeis.
O vice-prefeito e candidato do PSD, Délio Malheiros, afirma que a experiência da cidade com PPPs é exemplo. “Algumas Umeis foram construídas no prazo recorde de sete meses. Conseguimos construir uma Umei de 1.200 m² com valor de R$ 3,8 milhões. Depois, essa Umei terá manutenção por 20 anos. Nós (prefeitura) cuidamos da parte pedagógica e da alimentação, o resto é cuidado pela empresa. Assim, conseguimos atender as vagas mais rápido”, disse ele, que pretende construir mais 22 Umeis.
Sargento Rodrigues (PDT) é contra novas PPPs na educação. “Nós temos uma proposta de construir mais 70 Umeis, mas não por PPP, pelo modelo normal. É possível baratear o custo da obra se não houver conchavo nem superfaturamento”, disse. O candidato defende a realização de processos licitatórios “transparentes” e o estabelecimento de convênios com creches para atender as crianças de 0 a 3 anos.
Rodrigo Pacheco (PMDB) é favorável à construção de novas unidades de educação infantil por meio de PPPs. “Vou fazer mais 70 Umeis por meio de PPP. Está no meu plano de governo”, ressaltou. O candidato explicou que, com essas novas unidades, será possível resolver, “por hora”, a demanda por vagas na cidade.
Luis Tibé (PTdoB) explica que sua prioridade não será a construção imediata de novas unidades por meio de PPP. “O problema da educação hoje não é fazer mais Umeis, é usar a capacidade das que já existem. A gente tem várias Umeis que estão trabalhando com só 50% da capacidade”, afirmou. O candidato defende que, inicialmente, seja resolvida a questão da mão de obra, para possibilitar o aumento de vagas nas unidades já existentes. “No primeiro momento, o gargalo que a gente vai resolver é com parcerias com as creches”, detalhou.
Marcelo Álvaro Antônio (PR) diz que é a favor desse modelo, “mas temos que ter uma avaliação criteriosa sobre o assunto. Nosso desejo é oferecer uma melhor educação para crianças em Belo Horizonte. Se entendermos como necessário esse tipo de parceria, não vemos problema em continuar, mas com critérios”.
Já Reginaldo Lopes (PT) é contra. “Temos 194 creches comunitárias conveniadas com o município e que atendem cerca de 26 mil alunos, segundo o Movimento de Luta Pró Creches. A minha proposta é dobrar o tamanho em quatro anos, fazendo uma Parceria Público-Comunitária (PPC) com os entes mantenedores das creches comunitárias. Assim, vamos requalificar os espaços já existentes, dobrar a capacidade de atendimento, garantir acessibilidade e melhorar a infraestrutura hidráulica e elétrica.”
Vanessa Portugal (PSTU) é radicalmente contra as PPPs. “Elas encarecem o custo da educação infantil e são uma transferência de recursos para as empresas de BH, com redução na qualidade do serviço”.
Eros Biondini (PROS) acredita que, apesar de avanços que a PPP proporcionou nas Umeis, é preciso avaliar o modelo. “Tudo leva a crer que, com o preço de uma, daria para fazer três (Umeis). Depois, a vantagem sempre é maior para a construtora, em detrimento até mesmo dos profissionais que ali trabalham”, disse.
Alexandre Kalil (PHS) também defende que é necessário rever a política das PPPs. “Escola infantil não é uma coisa muito cara. É uma obra relativamente barata. O que a população tem que saber é que nós temos que equipar, colocar gente cuidando de gente. Então, nós temos que fazer um planejamento muito melhor do que ficar jogando ao vento construções de centenas de Umeis”, argumenta.
Para João Leite (PSDB), é preciso, antes de tudo, planejar o “dimensionamento da rede de ensino”. “Temos que fazer com que a gestão municipal seja capaz de atender a demanda atual e em longo prazo. A população brasileira está envelhecendo, e as necessidades educacionais não serão as mesmas no futuro”, disse.
Já Maria da Consolação (PSOL) adota um discurso totalmente contrário à utilização das PPPs para essa finalidade. “Sou contra e defendo a construção de escolas utilizando apenas recursos da prefeitura. Educação não é mercadoria, não é feita para a empresa ter lucro.”
João Leite (PSDB)
O candidato João Leite participou, durante a manhã dessa segunda (26), de uma caminhada pela praça Sete, na região central de Belo Horizonte. Sem outros compromissos de agenda, o tucano passou a tarde gravando para seus programas de televisão. As redes sociais de João Leite, no entanto, continuam chamando atenção por conta de conteúdos criativos. A última inserção no Facebook, por exemplo, foi a de um vídeo em que o tucano faz escolhas em “duelos” de marcas, escritores e até personagens. Entre Chapolin e Chaves, por exemplo, João Leite escolheu o primeiro. Esse não é o primeiro vídeo desse tipo que é publicado no canal do candidato. Nas últimas semanas, o tucano tem lido e respondido interações de internautas pelo Twitter.
Alexandre Kalil (PHS)
Nessa segunda (26), o empresário Alexandre Kalil visitou obras inacabadas da estação rodoviária no bairro São Gabriel. Ele conversou com passageiros e fez filmagens para seu programa de televisão e para exibição em redes sociais. Não foi a primeira vez que Kalil visitou o local. Em agosto, acompanhou o trajeto de sua empregada doméstica e passou pelo terminal, ao qual criticou duramente. “É uma vergonha, há goteiras e até escada rolante parada. Um descaso tremendo”. À noite, Kalil iria a um encontro com militantes da Rede, que teria a presença da ex-senadora Marina Silva. A presença do empresário, no entanto, acabou sendo cancelada, em função de uma viagem a São Paulo, para resolver questões pessoais.
Délio Malheiros (PSD)
O vice-prefeito e candidato Délio Malheiros (PSD) se encontrou com integrantes da Nação Hip Hop Brasil e também realizou caminhada na área central. Délio disse que pretende implantar várias ações para revitalizar a região. “Vamos melhorar a iluminação pública, continuar investindo no trânsito, construir uma Umei na rua Guaicurus e uma escola profissionalizante na rua Santos Dumont. No futuro, vamos construir o Centro Administrativo na praça da Rodoviária, que não é prioridade neste momento, mas o projeto é esse. Estamos melhorando a limpeza, cuidando melhor dos passeios, fiscalizando e retirando vendedores ambulantes. Isso tudo valoriza mais o centro”, afirmou o postulante.

Luis Tibé (PTdoB)
Luis Tibé (PTdoB) visitou nessa segunda (26) o bairro Novo Lajedo Tupi, na região Norte da capital. “Sei que vocês já sofreram com falsas promessas, mas o meu governo será diferente. Vamos criar a Secretaria de Vilas e Favelas para tirar vocês e outras tantas pessoas dessa situação tão ruim para se viver”, disse aos moradores. O candidato também recebeu músicos do movimento “Nos Bares da Vida”, que lhe entregaram um manifesto com reivindicações. “Vamos enviar para a Câmara Municipal um projeto de legalização da música ao vivo em bares, mas antes conversaremos com representantes de movimentos musicais para saber quais são as necessidades e os problemas a serem resolvidos”, detalhou.
Reginaldo Lopes (PT)
O candidato do PT, Reginaldo Lopes, comemorou nessa segunda (26), em seu perfil no Facebook a manifestação de apoio dada pelo ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica às candidaturas do partido. Segundo Reginaldo, Mujica é sinônimo de políticas avançadas para jovens, de inclusão social e distribuição de renda.
“A única luta que se perde é a que se abandona. Todo meu apoio aos companheiros e companheiras do PT nestas eleições municipais”, diz a mensagem de Mujica. Também em sua rede social, o petista chamou atenção para o fato de que um possível segundo turno na capital será disputado sem nenhum candidato da esquerda. “Já imaginou um segundo turno com dois candidatos que governarão apenas para seus amigos e empresários?”, criticou.

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