Editorial: #D1Passo marca presença em debate eleitoral

Com o primeiro turno das eleições municipais de Belo Horizonte se aproximando do desfecho, vai se tornando claro que o esforço da equipe #D1Passo e dos apoiadores da campanha não foi em vão. No último debate, exibido pela Record, ainda que a campanha só tenha sido citada nominalmente pelo candidato Marcelo Álvaro Antônio, pudemos perceber que a pauta da mobilidade urbana sustentável esteve presente em diversas falas, ainda que não com a profundidade e a abrangência que o assunto merece.
Como ponto positivo, percebemos que quase todos os candidatos, ao debaterem a pauta, mencionaram explicitamente a bicicleta, apostando, aparentemente, em soluções mais simples e viáveis do que as obras viárias de grande porte que deram a tônica nas últimas gestões municipais. Como já frisamos algumas vezes, viadutos, elevados, alargamento e abertura de vias prometem foram vendidas como soluções para o problema da mobilidade urbana em Belo Horizonte nas últimas gestões, mas só fizeram estimular o uso dos veículos individuais e enriquecer as empreiteiras, ao passo que, no máximo, agiram como paliativo para minorar, temporariamente, os gargalos de trânsito da cidade. Os candidatos, no último debate, demonstraram-se, no geral, inclinados a uma discreta, mas perceptível, mudança de foco.

Em um universo de oito candidaturas presentes no debate (de um total de onze), foi possível, porém, perceber alguns erros ou abordagens superficiais. A candidatura de Délio Malheiros, cuja assessoria nos assevera ter incorporado alguns de nossos eixos ao programa oficial do candidato, viu-se, talvez por ser apoiada pelo atual prefeito, na posição de defender os feitos da atual administração municipal, prometendo melhorias. Falou, porém, com propriedade sobre a necessidade de expansão das ciclovias, entre outros temas. Alexandre Kalil, que também nos recebeu, limitou-se a dizer que circulou em algumas linhas de ônibus que atendem a regiões mais pobres e que a atual situação “é uma vergonha”, protagonizando, talvez, a participação menos propositiva do debate.

Não faltou, também, a já tradicional série de promessas acerca da expansão do Metrô, acompanhadas do também tradicional “jogo de empurra” quanto às responsabilidades sobre a paralisação das obras nos últimos períodos. Délio, como representante da atual administração, culpou o governo federal pela ausência de obras; Reginaldo Lopes, pelo contrário, acusa a atual administração municipal de não levar adiante a obra por incompetência, alegando que o governo federal já havia liberado a verba; João Leite, cujo partido fez parte da gestão de Marcio Lacerda, curiosamente, criticou a atual administração por não ter levado adiante as obras.
Dentre os pontos positivos e alinhados com o nosso programa presente na fala dos candidatos, podemos citar, além das ciclovias, a necessidade de integração modal presente nas falas de Marcelo Álvaro Antônio, Reginaldo Lopes, a menção específica à necessidade de redução de gás carbônico pelo candidato Tibé e a necessidade de uma auditoria pública dos contratos com as concessionárias de transporte público, trazida ao debate pelo candidato Sargento Rodrigues.
As participações de maior destaque, de acordo com as diretrizes da campanha, foram as de Reginaldo Lopes, que, além dos pontos já citados, criticou os aumentos de passagens, defendeu a criação de mais faixas exclusivas e a integração tarifária com a Região Metropolitana e Marcelo Álvaro Antônio, que demonstrou ter realmente lido o nosso programa, discutindo soluções mais simples para a mobilidade urbana em Belo Horizonte.

Permaneceremos atentos e contamos com a sua ajuda para continuar pressionando os candidatos para que incorporem oficialmente o nosso programa, que já foi entregue a todos as candidaturas em disputa .