Debate tem trocas de farpas e saias justas

Alexandre Kalil voltou a ser o principal alvo dos concorrentes

PUBLICADO EM 17/09/16 Jornal O Tempo- 00h49
TÂMARA TEIXEIRA
FRANSCINY ALVES
O segundo debate de televisão com os candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte foi marcado por duros ataques e muitas provocações. Alexandre Kalil (PHS), que está em segundo lugar nas pesquisas, foi o principal alvo dos demais concorrentes, que quererem garantir vaga no segundo turno. João Leite (PSDB), que lidera a corrida, foi provocado, principalmente, por Kalil e Reginaldo Lopes (PT).

O primeiro bloco, em que as perguntas foram entre os candidatos, foi o mais quente. Todos os nomes foram provocados. O vice-prefeito Délio Malheiros (PSD) questionou a dívida de Kalil com o IPTU e disse que, se o candidato do PHS pagasse o que deve, seria possível fazer 10 mil mamografias. “O senhor é o braço do Pimentel nessa campanha”. Délio fez questão de dizer ainda que o vice de Kalil é ligado ao PT, se referindo ao deputado Paulo Lamac, que foi da legenda antes de se filiar à Rede. Kalil rebateu no mesmo tom: “A função mais importante que ele (Délio) recebeu na vida foi cuidar de 50 capivaras e 38 morreram. Quem não deu conta de cuidar de capivara não pode cuidar de 2 milhões de habitantes”, rebateu.

Kalil também atacou Sargento Rodrigues (PDT), outro que citou a dívida de imposto de Kalil. O empresário disse que era “diferente” do deputado estadual: “Pago os empregados do meu bolso, tenho despesas, problemas, venho da iniciativa privada, nunca tive servidor público para me servir” e que “mostrei para o povo minha capacidade, estou aqui porque dei alegria, o senhor, durante uma greve, quando um companheiro levou um tiro, o senhor usou esse caixão como degrau para a política. Nunca usei um colega ou um caixão para virar deputado”, disse Kalil. Ele ainda ironizou a dobradinha feita entre Sargento Rodrigues e João Leite que, na oportunidade que tiveram de fazer perguntas um ao outro, evitaram provocações. Sargento Rodrigues foi rápido e emendou: “Dobradinha que o senhor faz com o governador Fernando Pimentel que foi indiciado agora”.

Délio Malheiros, Rodrigo Pacheco também foram mais cordiais um com o outro e focaram as críticas a Kalil. “Como o senhor vê um candidato que diz que não é político, como vê um candidato que não paga IPTU?”, questionou o primeiro ao peemedebista. Pacheco concordou com o candidato, mas evitou se envolver em polêmicas e voltou a bater na tecla de que, se eleito, irá trazer recursos federais para Belo Horizonte, já que Michel Temer é de seu partido.

Marcelo Álvaro Antônio (PR) não poupou Luis Tibé (PTdoB). “O senhor foi citado pela Polícia Federal por ligação com esquema de lavagem de dinheiro, há áudio do senhor que quer levar tudo para seu partido. Seu partido está acima do direito do povo?”, questionou Marcelo. Tibé negou ser alvo de investigação e discorreu sobre propostas.

Perguntas duras

No segundo bloco, os candidatos responderam perguntas de jornalistas e continuaram enfrentando saias justas. João Leite teve que responder pela participação de caciques do PSDB de Minas, em esquemas de corrupção, como Narcio Rodrigues e Eduardo Azeredo, e sobre o apoio de Aécio Neves, que é citado na Lava Jato. Respondeu: “Não preciso de ninguém para me dar a mão para me conduzir, estou preparado para governar”.

Já Reginaldo Lopes foi questionado sobre os escândalos de corrupção envolvendo o PT e sobre como garantir que seu governo seria diferente. Ele também foi questionado sobre o fato de não usar a estrela, marca do PT, no seu material de campanha. “Não tenho nenhum processo, nome em nenhuma lista, e nenhum escândalo. Não aceito criminalização de uma instituição por um erro de três ou quatro pessoas”.

No último bloco, Reginaldo disparou contra Rodrigo Pacheco, citando o que considera políticas impopulares do governo federal do PMDB.

Os próximos

Os oito candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte ainda irão se encontrar outras três vezes em debates de televisão até o dia da eleição, no dia 2 de outubro. No dia 25, na Rede Record, no dia 27, na TV Alterosa, e, no dia 29, na Rede Globo.

Ausências

Não participam dos debates: Vanessa Portugal (PSTU), Eros Biondini (PROS) e Maria da Consolação (PSOL). O convite foi para coligações ou siglas que somam, no mínimo, mais de nove representantes na Câmara.

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